Tag: Infância

  • Infância e Natureza: primeiras experiências.

    Infância e Natureza: primeiras experiências.

    No mês passado, publiquei um relato sobre vivências com a arte, mas antes das crianças entrarem em contato com os materiais artísticos, outros materiais são experenciados: os elementos da natureza! A arte primitiva é um exemplo que os primeiros materiais de arte do ser humano estão na natureza.

    Seja na arte ou no brincar, pois os dois estão conectados, o contato com a natureza é fundamental.

    O contexto desse relato é um espaço de educação não formal, que recebe diariamente um grupo de bebês e crianças pequenas no período da manhã. Me encantei com o quintal (terra, areia, água, pedras, àrvores frutíferas, etc) e tudo que acontecia ali tornou-se pesquisa diária.

    O uso do quintal é espontâneo, inclusive nos dias frios e chuvosos (dentro de um limite que não seja prejudicial a saúde), cada criança no seu ritmo e da sua forma, seja pelo movimento ou pelas explorações conectam-se com a natureza. São livres em suas ações!

    Um dia de chuva muito forte, sem quintal, é um dia agitado, cheio de tensões. Estar ao ar livre traz tranquilidade, fluidez e leveza.

    O papel do educador, é observar, intervir no espaço (disponibilizar caixotes, tecidos e outros materiais, avisar sobre reparos) e mediar os momentos em que são solicitados pelos bebês ou crianças pequenas. Como é um grupo multietário de 1 a 4 anos, a mediação é necessária nos processos de interação e algumas vezes nos desafios corporais como:

    • aprender abrir e fechar a torneira (água de captação da chuva) para não desperdiçar;

    • receber apoio verbal e presencial nas explorações motoras (as crianças sobem onde conseguem por conta própria, não colocamos nenhuma criança em lugar mais alto do que ela consiga subir ou descer sozinha, observamos e estamos pertinho caso seja necessário, mas não seguramos para que subam ou pegamos no colo, quem tenta e não consegue oferecemos outros lugares para subir, algumas vezes tentam até desistirem, outras choram um tanto frustradas, é um processo importante de conscientização corporal, dos seus limites, tema do qual tratarei em uma próxima publicação);

    • aprender a olhar as frutas que caem das árvores se não tem bicho e se há necessidade de lavar ou mesmo aprender a colhê-las e ajudar (amora, pitanga, acerola, jabuticaba, cereja, caqui, romã, goiaba).

    O adulto está sempre por perto, atento, disponível, inteiro no seu fazer, aberto ao imprevisto e em auto-observação (por exemplo, cuidar das próprias reações – exageradas – nas situações de queda ou no excesso de intervenção). Compartilha por meio de suas atitudes que aprecia a natureza (vai sentar no chão, tirar calçado, brincar na areia, no barro, com água), pesquisa, observa e valoriza a contemplação e o relaxamento.

    Assim como consideramos o espaço como educador, a natureza também é educadora com sua riqueza de materialidades, sensorialidades e plasticidade. É fonte de conhecimento e fornece múltiplas linguagens!

    Quando pensamos no brincar ao ar livre, precisamos incluir os bebês, eles são capazes e têm o direito a experiências fora da sala. Eles conhecem o mundo pela boca, então é comum experimentarem um pouco de pedra, areia, terra e logo perceberem que não é bom. Estão o tempo todo aprendendo e pesquisando, é um modo natural de existência, a origem da curiosidade humana!

    Pude observar que depois do 1 ano completo o interesse pelo quintal foi maior, antes os bebês (de 7 a 12 meses) tiveram o contato com os elementos da natureza em uma varanda ou no salão, de forma exploratória e sensorial. Talvez porque estar no quintal demanda primeiro o estabelecimento do vínculo com o adulto, depois desafios corporais, diversas sensações e outras crianças em ação; o quintal chega como um novo mundo e são todas essas informações de uma vez para lidar.

    Para algumas crianças colocar os pés na areia, na terra ou na água, é uma aprendizagem importante, pois veem como sujeira ou estranham a sensação.

    Elas se mostram com diferentes interesses: algumas permanecem por longo tempo, na areia, no balanço, no trepa-trepa, nas árvores, nas escadas de escalada, na casinha; outras investem no barro, na água, nas frutas ou transitam por todo ambiente. Essas pesquisas individuais se transformam com o tempo, das sensações, para os desafios corporais, para as relações, para criação de brincadeiras, etc.

  • Escuta e infância: viver o cotidiano sensível.

    Escuta e infância: viver o cotidiano sensível.




    Viver o cotidiano sensível com bebês e crianças é estar presente, inteiro, disponível, atento, curioso, interessado, em busca. Aberto ao inesperado, as sutilezas, as miudezas, as metáforas e a tantas outras especificidades de ser educador(a) da infância. Maravilhar-se com a potência das crianças que nos ensinam diariamente.

  • Do que são habitadas as paredes de uma escola da infância?

    Do que são habitadas as paredes de uma escola da infância?


    Parece um tema ultrapassado, porém a prática de decorar as paredes das salas, os muros e os demais espaços das unidades de educação infantil ainda se mostra muito presente. É comum que professores(as) queiram “dar vida” aos espaços enfeitando com personagens, móbiles,


    cores


    vibrantes, adesivo estampado, E.V.A e outras imagens criadas pelas mãos dos adultos para agradar as crianças e criar um “ambiente lúdico”. E a partir disso acho importante refletirmos sobre:

  • Fazer o quê depois de pintar? Arte e Infância em uma perspectiva contemporânea

    Fazer o quê depois de pintar? Arte e Infância em uma perspectiva contemporânea



    *Em 2022 o projeto foi premiado no Professor em Destaque da SME-SP, apresentado no VI Seminário EducaPenha, no Seminário Internacional Pequenas Coisas, mas as mais pequenas mesmo!, no Seminário Internacional Infâncias e Pós-colonialismo da Unicamp e no Congresso do SEDIN – Sindicato dos Educadores da Infância. E recebi o convite de uma live pela Divisão de Educação Infantil da SME-SP em 2021.


    Tudo começou no início de 2021 com o retorno da jornada presencial, assumi um grupo de Minigrupo II com crianças de 3/4 anos e logo na primeira semana ofereci um contexto com pintura, o grupo se mostrou animado e ansioso por essa possibilidade. Depois da segunda proposta comecei a refletir sobre os indícios que havia observado e escutado e decidi…