
MovimentArte é um ateliê de experimentações com o corpo e a arte, por meio de brincadeiras lúdicas, movimento corporal, imaginação, sensação, conexão, interação, apreciação e muitas descobertas.
Os ateliês integram a dança, o grafismo e os ritmos sonoros possibilitando vivências abertas, criativas e ricas em expressões singulares.
Essa proposta nasceu depois que participei de um treinamento com o Projeto Segni Mossi e me tornei multiplicadora de suas experimentações, porém há uma reflexão desse trabalho em diálogo com outros artistas de várias linguagens que pesquisam o corpo e o grafismo.
Embora seja um projeto italiano, há inspirações brasileiras e estou refletindo sobre novas possibilidades conectadas as danças folclóricas, do qual esteve presente na minha formação como Brincante e me despertou, novamente, o desejo de aprofundar essa vivência.
O Sesc Av. Paulista foi um dos lugares onde coloquei em prática esses saberes durante cinco sábados, com crianças de 3 a 7 anos e seus familiares. Nessas sessões tive vários desafios para coordenar: contar sobre a proposta, manusear o som, fotografar, observar, identificar necessidades, improvisar, brincar com as crianças e convidar os adultos a se conectarem com seus filhos.
Foi uma das experiências mais lindas que já vivi, gostei muito dessa aproximação com as famílias, no sentido delas viverem a proposta junto com as crianças e muitas vezes aproveitar a experiência para si mesmo.

A belezura de observar como as crianças se relacionavam com o material, o espaço, a liberdade de brincar e desenhar. Algumas famílias me procuravam para fazer…
Aprecie as fotos e verá quantas possibilidades de desenhar!
Desenhar deitado de costas, dando cambalhota, agachado, rolando o corpo no chão. Desenhar sem ver, inclinado, com as duas mãos, sozinho, em dupla, com a família…
Desenhar em movimento, em pé, girando, correndo, dançando, deitado, ajoelhado, ao mesmo tempo que outra pessoa…
Desenhar para experimentar gestos, se sentir livre, se expressar, deixar sua marca…
Desenhar e pisar, rasgar, entrar, deitar, brincar no desenho…
Desenhar com giz pastel, com o corpo, com tinta, com tecido…
Desenhar em conexão consigo mesmo!
Em dois sábados de encontros com educadores para dialogar sobre ateliê, levei a proposta MovimentArte para possibilitar experimentações e vivências com a dança-desenho: explorar, imaginar e descobrir para ressignificar o movimento, a dança, o desenho, as relações, o corpo…

As propostas quebram paradigmas em relação ao ensino das artes, que elas podem e devem se integrar, possibilitando vivências mais abertas, criativas e ricas em expressões singulares.
Tive outras oportunidades de diálogo com educadores como no XVI Território da Arte de Araraquara, interior de São Paulo, onde também realizei essa proposta na Escola Municipal de Dança Iracema Nogueira com crianças entre 8 e 11 anos. E com um grupo de professores de educação física da rede pública de Osasco-SP, em parceria com o Sesc.
Inclusive todo esse trabalho tem inspirado meu fazer com bebês e crianças pequenas, nessa relação entre o corpo e o desenho.
Para que eu aprofunde o olhar e as reflexões para esse fazer, preciso me colocar n

Infância e Natureza: primeiras experiências.

No mês passado, publiquei um relato sobre vivências com a arte, mas antes das crianças entrarem em contato com os materiais artísticos, outros materiais são experenciados: os elementos da natureza! A arte primitiva é um exemplo que os primeiros materiais de arte do ser humano estão na natureza.
Seja na arte ou no brincar, pois os dois estão conectados, o contato com a natureza é fundamental.
O contexto desse relato é um espaço de educação não formal, que recebe diariamente um grupo de bebês e crianças pequenas no período da manhã. Me encantei com o quintal (terra, areia, água, pedras, àrvores frutíferas, etc) e tudo que acontecia ali tornou-se pesquisa diária.

O uso do quintal é espontâneo, inclusive nos dias frios e chuvosos (dentro de um limite que não seja prejudicial a saúde), cada criança no seu ritmo e da sua forma, seja pelo movimento ou pelas explorações conectam-se com a natureza. São livres em suas ações!
Um dia de chuva muito forte, sem quintal, é um dia agitado, cheio de tensões. Estar ao ar livre traz tranquilidade, fluidez e leveza.
O papel do educador, é observar, intervir no espaço (disponibilizar caixotes, tecidos e outros materiais, avisar sobre reparos) e mediar os momentos em que são solicitados pelos bebês ou crianças pequenas. Como é um grupo multietário de 1 a 4 anos, a mediação é necessária nos processos de interação e algumas vezes nos desafios corporais como:
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aprender abrir e fechar a torneira (água de captação da chuva) para não desperdiçar;
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receber apoio verbal e presencial nas explorações motoras (as crianças sobem onde conseguem por conta própria, não colocamos nenhuma criança em lugar mais alto do que ela consiga subir ou descer sozinha, observamos e estamos pertinho caso seja necessário, mas não seguramos para que subam ou pegamos no colo, quem tenta e não consegue oferecemos outros lugares para subir, algumas vezes tentam até desistirem, outras choram um tanto frustradas, é um processo importante de conscientização corporal, dos seus limites, tema do qual tratarei em uma próxima publicação);
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aprender a olhar as frutas que caem das árvores se não tem bicho e se há necessidade de lavar ou mesmo aprender a colhê-las e ajudar (amora, pitanga, acerola, jabuticaba, cereja, caqui, romã, goiaba).
O adulto está sempre por perto, atento, disponível, inteiro no seu fazer, aberto ao imprevisto e em auto-observação (por exemplo, cuidar das próprias reações – exageradas – nas situações de queda ou no excesso de intervenção). Compartilha por meio de suas atitudes que aprecia a natureza (vai sentar no chão, tirar calçado, brincar na areia, no barro, com água), pesquisa, observa e valoriza a contemplação e o relaxamento.

Assim como consideramos o espaço como educador, a natureza também é educadora com sua riqueza de materialidades, sensorialidades e plasticidade. É fonte de conhecimento e fornece múltiplas linguagens!
Quando pensamos no brincar ao ar livre, precisamos incluir os bebês, eles são capazes e têm o direito a experiências fora da sala. Eles conhecem o mundo pela boca, então é comum experimentarem um pouco de pedra, areia, terra e logo perceberem que não é bom. Estão o tempo todo aprendendo e pesquisando, é um modo natural de existência, a origem da curiosidade humana!
Pude observar que depois do 1 ano completo o interesse pelo quintal foi maior, antes os bebês (de 7 a 12 meses) tiveram o contato com os elementos da natureza em uma varanda ou no salão, de forma exploratória e sensorial. Talvez porque estar no quintal demanda primeiro o estabelecimento do vínculo com o adulto, depois desafios corporais, diversas sensações e outras crianças em ação; o quintal chega como um novo mundo e são todas essas informações de uma vez para lidar.
Para algumas crianças colocar os pés na areia, na terra ou na água, é uma aprendizagem importante, pois veem como sujeira ou estranham a sensação.
Elas se mostram com diferentes interesses: algumas permanecem por longo tempo, na areia, no balanço, no trepa-trepa, nas árvores, nas escadas de escalada, na casinha; outras investem no barro, na água, nas frutas ou transitam por todo ambiente. Essas pesquisas individuais se transformam com o tempo, das sensações, para os desafios corporais, para as relações, para criação de brincadeiras, etc.

Bebês pesquisadores e a necessidade de conhecer: experiências com o papel.
No mês de outubro de 2021, compartilhei algumas imagens no @culturainfantil com bebês explorando papéis em uma experiência que me surpreendeu e resolvi fazer um breve relato aqui.
