Não me recordo qual foi a primeira vez que ouvi sobre os contextos na perspectiva de proposições na educação infantil, mas de repente eles invadiram as redes sociais. Tenho acompanhado publicações sobre os contextos de aprendizagem ou de investigação e as perguntas que rondam esse tema são: qual a diferença entre eles? Afinal, o que são? Fiz cursos, pesquisei referências e dialoguei com minha própria prática para chegar no que trago aqui. Porém, é uma breve reflexão que está em processo e reflete o meu entendimento atual sobre o assunto, minhas escolhas e concepções.
O interesse neste assunto partiu da curiosidade e inquietude em entender melhor essa prática, me senti provocada em indagar o meu fazer: o que ofereço as crianças seria um contexto de investigação? Uma sessão? Um território? Um ateliê? Fiquei incomodada com a possibilidade dos contextos de investigação estarem vinculados apenas a esse tipo de proposta organizada como nas fotos abaixo. Minha base é a cultura do ateliê que considera a escola inteira como espaço de pesquisa, investigação e criação. Tem a estética como um valor importante e um olhar integrado para as aprendizagens.
Não sou contra os “contextos de investigação”, só acho que a forma como tem sido disseminada não reflete as concepções que acredito, eu mesma faço propostas como os registros abaixo, mas com outra perspectiva. Também prefiro contextos simples e equilibrados sem super produções ou excessos de estímulos visuais, sou básica.

PENSADORES PARA CRIANÇAS
Folha lança Coleção de Pensadores para Crianças com versão bilíngue e experiências interativas
Os livros serão vendidos a R$ 24,90 e trazem grandes nomes como Sócrates, Platão, bell hooks, Rui Barbosa, Ailton Krenak, Conceição Evaristo, Fernando Pessoa e muitos outros
Num universo infantil pulsante de curiosidade e descobertas, a Folha tem a alegria de apresentar a Coleção Folha Pensadores para Crianças, uma verdadeira celebração da mente inquisitiva dos pequenos. Com um design envolvente, uma linguagem feita sob medida para os jovens leitores e ilustrações que cativam os sentidos, esta coleção é mais do que uma série de livros: é uma jornada pelo fascinante mundo do pensamento humano.
Desde os primórdios da filosofia na Antiga Grécia, onde Sócrates e Platão lançaram as bases do pensamento ocidental, até às vozes contemporâneas de bell hooks e Ailton Krenak, a coleção abrange uma galeria diversificada de pensadores. Figuras como Nietzsche, Sêneca, Confúcio, Sigmund Freud, Immanuel Kant, Nicolau Maquiavel, Conceição Evaristo, Michel Foucault, Luiz Gama, Hannah Arendt, Karl Marx, Ailton Krenak, Fernando Pessoa, Mary Wollstonecraft, Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, Mário de Andrade, Frantz Fanon, Santo Agostinho, Rui Barbosa, Maria Montessori, Pablo Neruda e Adam Smith são apresentadas em suas singularidades, oferecendo às crianças um panorama rico e diverso das ideias que moldaram e continuam a moldar nossa compreensão do mundo.

Cada pensador, meticulosamente selecionado, traz não só suas ideias, mas também um vislumbre de sua época e das questões que os motivaram, proporcionando às crianças uma imersão em uma miríade de perspectivas sobre a existência e a condição humana.
“Esta coleção única oferece uma oportunidade para as crianças explorarem o mundo com grandes pensadores de forma lúdica e interessante. Uma novidade é o formato virtual e bilíngue, complementando ainda mais essa experiência e ampliando o alcance do aprendizado. Acreditamos que essa coleção não apenas estimulará a curiosidade das crianças, mas também as incentivará a fazer perguntas importantes sobre o mundo ao seu redor, afirma Anderson Demian, Diretor de Circulação e Estratégias Digitais da Folha de S. Paulo.
A Coleção Folha Pensadores para Crianças representa uma importante ferramenta educacional que pode influenciar positivamente o desenvolvimento infantil em várias áreas. Ao introduzir as ideias de diversos pensadores e filósofos, os livros incentivam as crianças a questionarem, refletirem e analisarem diferentes perspectivas. Além disso, a variedade de temas abordados oferece uma base sólida de conhecimento sobre questões universais e estimula a criatividade e a imaginação por meio de um projeto gráfico lúdico e ilustrações cativantes.
Essa experiência de aprendizado não apenas amplia o repertório cultural e intelectual das crianças, mas também promove habilidades essenciais para a vida. Ao explorar as diferentes ideias apresentadas pelos pensadores, os pequenos leitores são incentivados a respeitar e compreender as diferenças, contribuindo assim para uma formação mais consciente e inclusiva.
E, para quem acha que tudo isso pode ser complicado demais para as crianças, Silvana de Souza Ramos, professora da Universidade de São Paulo e curadora da coleção, em entrevista para a Folha de São Paulo, tranquilizou os leitores:
“Existe uma profunda afinidade entre a linguagem da criança e a linguagem da filosofia. A curiosidade e a capacidade de fazer perguntas fundamentais aparecem nas crianças de um jeito muito espontâneo. O que fizemos com essa coleção foi trazer para o primeiro plano certa atitude questionadora dos pensadores, semelhante à atitude infantil.”

Além dos livros físicos, a coleção inclui uma versão digital em formato de ebooks bilíngues. Os leitores terão acesso ao conteúdo em português e inglês, ampliando ainda mais as oportunidades de aprendizado. O volume 1 da coleção vem acompanhado de um livro-tapete para colorir, proporcionando às crianças uma experiência interativa e criativa enquanto exploram as ideias dos pensadores apresentados.
Os títulos serão lançados semanalmente (serão 25 livros), aos domingos, de maio até novembro, com início dia 19 nas bancas. Porém, a primeira edição on-line já está disponível. O preço de capa de cada livro é R$ 24,90, mas há desconto para quem adquirir a coleção completa de uma vez. Os assinantes do jornal têm um preço especial na compra de todos os volumes da série.
Assessoria de Imprensa: DF Press
Contato: carolina.canalinfantil@gmail.com
Instagram: @canalinfantil
Facebook: @canalinfantiloficial

A arte como expressão, criação e investigação singular da criança.
Ano passado participei de uma
live
e criei este título para falar de uma experiência com a arte na educação infantil vivida no 1o semestre de 2021, nesta mesma partilha teve a apresentação de outro trabalho (Profa. Vanessa) do qual fui mentora no 2o semestre. Porém, gostaria de expandir essa discussão tão importante, já que em pleno 2022 ainda vemos práticas ultrapassadas como desenho para colorir, pontilhados, carimbo com mãos, receitas e tantas outras atividades chamadas de “arte”, mas que revelam concepções que não representam um trabalho contemporâneo com arte e infância.
Trago uma breve reflexão sobre as concepções que estão envolvidas em proporcionar experiências com a arte, os bebês e as crianças. Acredito que o fazer deve ser guiado por essa concepção de criança:
PROJETO SUCURIJU – LIVRO E CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
Histórias orais dos povos originários do Brasil são reunidas em livro por autor nativo
Projeto Sucuriju, de Ronny Abreu, inclui lançamento de livro em maio e contação de histórias em escolas em maio e junho
Reunidos no livro “Sucuriju: Histórias que meu Povo conta (Editora Alpharrabio, 2024)”, personagens da cultura amazônida como a Curupira, a cobra Sucuri e a Mãe d’Água protagonizam ensinamentos sobre a importância do respeito à vida e à natureza, além de fazer parte das tradições orais dos povos originários da Amazônia.
O lançamento do livro faz parte do Projeto Sucuriju e acontece no dia 28 de maio, na livraria e editora Alpharrabio (Santo André), às 18h, e foi viabilizado pelo mecanismo de incentivo fiscal ProAC 23/2023, de Produção e Realização de Projeto de Incentivo à Leitura.
O autor do livro, Ronny Abreu, disse que as histórias trazem memórias afetivas de sua infância e reuni-las em um livro é uma forma de preservar a cultura cabocla-indígina da qual faz parte. “É urgente a necessidade de falar às infâncias e juventudes sobre os valores ancestrais presentes nas histórias dos encantados, cuja sabedoria resgata o sentido de pertencimento e responsabilidade no cuidado com toda a vida no planeta Terra”, afirma.
Visão de mundo
Voltado ao público infanto-juvenil, o livro é ilustrado por André Vazzios e revela as histórias que fazem parte das narrativas contadas pelos povos que vivem às margens dos igarapés do interior do Pará. Para Ronny, o livro se diferencia por apresentar a visão de mundo dos povos locais e aprendizados para enfrentar desafios sociais e ambientais.
A publicação do livro também é uma forma de propor a reflexão às pessoas sobre o impacto da exploração desenfreada da natureza no modo de vida dos povos locais, reforça o autor. “Por muito tempo, a tradição de contar histórias era a única maneira de repassar as culturas, mitos e lendas do oeste do Pará, mas não é só isso. As narrativas fazem uma convocatória para dentro da mata e trazem um olhar para os povos da floresta que insistem em ficar e continuar no solo místico e sagrado dos ancestrais.”
Eventos
No lançamento, Ronny vai interpretar dois contos dos livros “Sucuriju” e “Jaguaretê Onça Mãe”, ao lado da atriz Fernanda Henrique. Também no mês de maio e em junho, o projeto Sucuriju segue para apresentações gratuitas em quatro EMEFs do município de São Paulo: CEU EMEF Tatiana Belinky, EMEF Vinícius de Moraes, EMEF Heraldo Barbuy e EMEF Professor Francisco da Silveira Bueno.
No dia 14, a apresentação será na Biblioteca Machado de Assis, aberta aos estudantes da Escola Pública do Riacho Grande, em São Bernardo do Campo, onde parte dos alunos vêm de comunidades indígenas.
Ronny vai conduzir uma oficina de escrita no dia 15/06, no Centro Educacional Unificado (CEU) Sapopemba, e apresentar uma live sobre o projeto no dia 21/06 no canal do projeto Sucuriju no YouTube. Ambas as atividades são gratuitas e abertas ao público.
O projeto também contemplará a distribuição de 30 exemplares do livro em Salas de Leitura de Escolas Públicas de Ensino Fundamental I e II, Bibliotecas, Museu das Culturas Indígenas de São Paulo e outros espaços promotores da leitura, instituições e projetos situados no Estado de São Paulo.
Sobre Ronny Abreu

Ator e dramaturgo, Ronny é formado pela Escola Livre de Teatro (ELT) de Santo André e cursou 5 períodos na Licenciatura de Letras e Artes na Universidade Federal do Pará (UFPA). Como artista paulista e migrante do Estado do Pará, Ronny trabalha com a valorização de sua origem cultural indígena e a contribuição dos povos originários na formação cultural do Brasil.
Atuou em espetáculos como” Nô Caminho – Sete Passos para Dentro” (Formão 6 da ELT), “A queda” (Teatro de Asfalto), “Caixa Casa Mundo: histórias re-veladas ou sobre como vencer os monstros” (Coletiva de Teatro Feminista Pontos de Fiandeiras), “A Festa dos Bárbaros” (Cia São Jorge de Variedades) e “Vozes da Independência” (Dione Carlos).
Lançamento do livro infanto-juvenil “Sucuriju, histórias que meu povo conta”
Autor: Ronny Abreu
Ilustração: André Vazzios
Projeto gráfico e diagramação: Isabela A. T. Veras, da Fabricando Ideias Design Editorial
Editora: Alpharrabio Livraria e Editora
Data e horário: 28/05 (maio) às 18h
Local: Alpharrabio Livraria e Editora – R. Dr. Eduardo Monteiro, 151 (Jardim Bela Vista), Santo André – SP
Público: convidados
…

Fazer o quê depois de pintar? Arte e Infância em uma perspectiva contemporânea
*Em 2022 o projeto foi premiado no Professor em Destaque da SME-SP, apresentado no VI Seminário EducaPenha, no Seminário Internacional Pequenas Coisas, mas as mais pequenas mesmo!, no Seminário Internacional Infâncias e Pós-colonialismo da Unicamp e no Congresso do SEDIN – Sindicato dos Educadores da Infância. E recebi o convite de uma live pela Divisão de Educação Infantil da SME-SP em 2021.
Tudo começou no início de 2021 com o retorno da jornada presencial, assumi um grupo de Minigrupo II com crianças de 3/4 anos e logo na primeira semana ofereci um contexto com pintura, o grupo se mostrou animado e ansioso por essa possibilidade. Depois da segunda proposta comecei a refletir sobre os indícios que havia observado e escutado e decidi…

O adulto de referência no trabalho com a educação infantil – 0 a 3.
Desde que comecei meus estudos sobre educação na primeira infância, me tornei especialista. Aprofundei meus conhecimentos na abordagem Pikler, fiz cursos em psicanálise e comecei a aplicar a figura do adulto de referência com base na minha própria experiência, analisando se é realmente tão crucial como aprendi que é.
Minha primeira experiência foi em 2018 e 2019 na educação não formal, trabalhando em espaços brincantes com bebês e crianças pequenas. Durante 2020, enfrentamos a pandemia (modo online), seguido pelo trabalho com um grupo de 3/4 anos em 2021 e como professora volante em 2022. Nessa última função, pude observar o trabalho de outras profissionais na sala do berçário I, composta por três turmas em um único espaço físico, resultando em 21 bebês (7 por professora).
Nesse cenário, as professoras optaram por não designar uma lista de alunos para cada turma, permitindo que os bebês escolhessem sua referência. Inicialmente achei interessante, mas com o tempo essa abordagem me levou a questionar a importância da escolha do bebê, já que o vínculo se desenvolve naturalmente (assim como a relação materna). Se um bebê escolhe uma professora específica, pode ser porque ela oferece mais atenção, iniciativa de interação ou sensibilidade. O que acontece quando muitos escolhem a mesma professora ou quando uma criança não escolhe? Senti falta de garantir os direitos e a qualidade do atendimento.
Outro aspecto que me fez refletir foi que, enquanto havia a professora de referência, todas as professoras trocavam fraldas, roupas, davam banho e alimentavam todos os bebês. Isso me deixou confusa e senti a necessidade de vivenciar novas experiências neste contexto da educação infantil, buscando embasamento teórico para aprimorar essa concepção.
Em 2023, assumi uma turma de berçário II com bebês de 1 a 2 anos e vi uma grande oportunidade, com três agrupamentos em um único espaço físico, totalizando 27 bebês (9 por professora) e 3 professoras por período. Propus adotar o sistema em que cada uma seria a adulta de referência do seu agrupamento, sem rigidez. Deu certo! Em 2024, continuo com o berçário II, desta vez em dupla, com 8 bebês para cada professora. A outra professora aceitou a proposta.
Não há um livro ou texto específico com todas as respostas sobre trabalhar com o adulto de referência. O que compartilho aqui é uma breve reflexão. Muitas educadoras desejam implementar essa abordagem, mas encontram dificuldades. Espero que essas experiências possam contribuir, destacando a importância da abertura, flexibilidade, estudo, respeito, ética e parceria entre as professoras.
A leitura do artigo complementa os conhecimentos sobre o assunto, abordando a relação adulto-criança. Meu enfoque pedagógico vai além, integrando estudos de autores como Winnicott, Bolwby, Brazelton, Pikler, Gonzalez-Mena, Goldshmied e Jackson, buscando uma visão holística.
Da família ao ambiente educativo
Quando bebês ou crianças pequenas começam no ambiente educativo, é crucial lidar com a separação mãe-bebê ou do cuidador. Isso pode causar estresse, angústia e ansiedade, pois é necessário construir laços diferentes dos familiares, com pelo menos uma professora por período.
É um momento delicado e desafiador, exigindo acolhimento e sensibilidade. Os bebês e crianças expressam seus sentimentos e a nossa observação é essencial para compreender e atender suas necessidades emocionais, criando um ambiente propício para explorar, aprender e se sentir seguros.
Aulas especiais de cuidados e emoções
Ainda é possível implementar o sistema do adulto de referência se você não estiver trabalhando dessa forma!
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