Category: Uncategorized

  • A fotografia como registro pedagógico na educação infantil

    A fotografia como registro pedagógico na educação infantil

    A última vez que escrevi sobre minha relação com a fotografia foi em 2017, ou seja, faz tempo e meu olhar já se transformou, por isso achei interessante retomar esse processo. Neste mesmo ano, iniciei estudos no Instituto Sedes sobre Piscanálise e só por 2018/2019 me dei conta do quanto meus estudos sobre o brincar livre, a cultura infantil, as pedagogias da infância e a pós-graduação em Educação de 0 a 3 anos, influenciaram em meu olhar e contudo, em minhas fotografias.

    Certo dia, me perguntaram "Como você faz parar tirar essas fotos?", em busca de entender melhor meus processos (subjetividade) e fiquei com essa pergunta na cabeça, tentei escrever, mas não consegui, há muita complexidade. Neste último ano, comecei a falar sobre a fotografia como registro pedagógico na perspectiva de compartilhar um pouco o meu olhar em relação ao trabalho com fotografia no fazer docente e ir tornando mais claro meus processos.

    Para começar, sou uma curiosa que se interessa por diversas linguagens da arte e dedica parte da vida a estudar e viver cada uma delas. Meu interesse no campo da fotografia e educação aconteceu durante o percurso como professora, fotografo desde o estágio em 2005, mas com diferentes intenções e finalidades. Conhecer, estudar praticar e apreciar as diversas linguagens da arte, contribui muito para a sensibilização do olhar e a compreensão dos processos criativos que os artistas vivem com suas produções.

    Como a fotografia na educação infantil pode ser contemplada de diferentes formas, meu foco está na construção do olhar, na compreensão da concepção de criança, no autoconhecimento e nas especificidades do ato e do olhar fotográfico, com referências dos dois campos de estudo.

    Acredito que precisamos saber melhor da nossa prática pedagógica (fazeres e saberes), antes de sair clicando tudo, a fotografia não deve se sobrepor ou ser mais importante do que estar com as crianças. Por isso, acho importante trazer alguns fundamentos da educação infantil durante os encontros que realizo com professores(as), pois a questão não é apenas aprender a técnica ou ter a melhor câmera.

    Há quem faça um bom trabalho e lhe falta intimidade com a linguagem fotográfica, há quem tem essa proximidade, mas lhe falta a prática pedagógica. É preciso buscar um equílibrio, pois as práticas (pedagógicas e fotográficas) caminham juntas e tornam-se visíveis por meio dos registros.

    Registro o cotidiano na educação há mais de 10 anos, estudo, troco, compartilho e vejo muita potência, pois é a partir deles que se materializa o acompanhamento do desenvolvimento e das aprendizagens de bebês e crianças na escola e cria-se a documentação, um outro processo mais complexo. Portanto, dizer que a fotografia é um registro pedagógico requer uma concepção muito séria, todos os registros são importantes e revelam a expressão e a subjetividade de cada professor(a). Nesse sentido, o recorta e cola, as cópias, os receituários e os olhares homogêneos são claramente identificados.

    A fotografia não é um simples registro que você clica sem intenção alguma, que monta uma cena, registra uma pose ou um contexto sem sentido. Há a intencionalidade pedagógica e a intencionalidade do que se deseja comunicar por meio da criação de uma imagem. E por mais que se estude sobre fotografia, vale lembrar que não é uma coisa só, existem linhas e teorias distintas.

    A escrita, assim como a fotografia, revela o olhar do professor e todas as escolhas que precisa fazer para organizar os registros e compor a relação texto e imagem. Existem professores mais descritivos, mais poéticos, que entrelaçam mais facilmente vários saberes etc, e todos são válidos, a diversidade de formas de fazer e expressar é enriquecedora para o grupo docente; imagina que tédio todo mundo fazendo igual, por isso também reforço a necessidade de autoria e criatividade docente. Sem passos a seguir, modelos, tabelinhas ou dicas que tanto fazem sucesso. O convite é para subverter a fotografia posada, comprobatória e ilustrativa por registros que façam sentido.

    Esse ano fotografei só um pouquinho, pois trabalhei no presencial e já senti como meu olhar mudou. Estamos sempre em processo, conforme os estudos e as práticas com a fotografia caminham.

    Já escrevi aqui no blog sobre observação e escuta que é de onde vem grande parte da minha inspiração para fotografar. Ano passado, durante a pandemia, comecei fazer algumas oficinas de fotografia para professores, este ano me lancei em me expressar com a fotografia de forma artística: levei meu trabalho com a educação infantil para o campo artístico e recebi um belo de um feedback, surpreendi fotógrafos profissionais e aprendi muito com eles.

    Para quem acompanha meu perfil no instagram o @culturainfantil onde compartilho alguns desses registros fotográficos vai perceber essa mudança, algumas fotos ali são usadas para compor uma documentação em um contexto mais amplo, outras são recortes do cotidiano e outras são totalmente pra mim, pura subjetividade. E para publicação de hoje, escolhi propositalmente, fotos antigas misturadas com outras mais recentes do meu perfil pessoal @olharpraver para dialogar com essa reflexão, para cada um fazer uma leitura bem pessoal. Neste perfil compartilho fotografias do cotidiano de tudo que capta meu olhar desde 2014.

    Para finalizar tem um dado importante e talvez estranho: comecei a fotografar de forma mais expressiva, subjetiva e intencional a partir de pesquisas que eu mesma quis realizar nos espaços onde trabalhei, motivada por estudos e muita curiosidade. Neste ano também ministrei a disciplina Fotografia e Infâncias, como professora convidada da Faculdade Phorte no curso de pós-graduação em Registro e Documentação Pedagógica e um curso de extensão na Escola do Parlamento.

    Não fotografo por obrigação, likes nas redes sociais, burocracia, comprovação, vaidade ou sei lá o quê. Fotografo para mim, tenho um prazer imenso em fazê-lo e as crianças sempre foram o motivo de toda minha dedicação profissional.

    *Todos os direitos autorais das imagens e texto reservados para Marcela Chanan. É proibida sua cópia sem autorização prévia. O compartilhamento da publicação na íntegra diretamente do blog (link e via redes sociais) é livre. E para impressão é obrigatório colocar a referência.

  • Do que são habitadas as paredes de uma escola da infância?

    Do que são habitadas as paredes de uma escola da infância?


    Parece um tema ultrapassado, porém a prática de decorar as paredes das salas, os muros e os demais espaços das unidades de educação infantil ainda se mostra muito presente. É comum que professores(as) queiram “dar vida” aos espaços enfeitando com personagens, móbiles,


    cores


    vibrantes, adesivo estampado, E.V.A e outras imagens criadas pelas mãos dos adultos para agradar as crianças e criar um “ambiente lúdico”. E a partir disso acho importante refletirmos sobre:

  • Para pensar a sala referência na educação infantil

    Para pensar a sala referência na educação infantil


    Em uma publicação recente, me senti provocada a repensar os
    materiais e/ou brinquedos
    na educação infantil, mas uma outra questão fundamental me trouxe inquietação: a organização, a estética, o mobiliário e a funcionalidade (dentre outros aspectos) que a sala referência precisa oferecer para que as aprendizagens aconteçam com qualidade. A sala é um dos espaços de bem-estar onde bebês e crianças vivem suas experiências. Sala referência? Sim, não existe mais a lógica de aula na educação infantil, então não é sala de aula.


    O espaço deve ser parte do projeto pedagógico: estudado e projetado. Saiba que o
    espaço educa e é nele que a memória busca o que é significativo, o que fica marcado em nossas lembranças. A partir disso, me pergunto:

    Como compor uma sala referência que atenda as necessidades de bebês e crianças?

    Brinquedos e móveis de
    madeira
    www.ateliequeroquero.com.br

  • Um ateliê na escola para uma escola como um ateliê.

    Um ateliê na escola para uma escola como um ateliê.


    Penso que todos os bebês e as crianças deveriam ter a oportunidade de viver um Ateliê em suas escolas, tanto um espaço físico que acolhe as explorações e o brincar, provoca investigações e nutre o senso estético, quanto a escola toda como um espaço de pesquisa, criação e experimentação para viver infâncias potentes por meio de múltiplas linguagens. Poderia começar a prática com a organização de um espaço físico para montar um Ateliê e depois levar esse ‘estado de ateliê’ para toda a escola: com muita curiosidade, corpos ativos e envolvidos em criar soluções para suas ideias; em relação com adultos, crianças, materiais e natureza.


    A concepção de Ateliê que compartilho aqui não é uma sala de artes, onde cada criança senta no seu lugar e o professor direciona a proposta, todos fazem igual e ao mesmo tempo. Vamos transgredir essa prática tradicional e nos aproximar de laboratórios expressivos e criativos com as linguagens entrelaçadas, sem fragmentação. Crianças aprendendo com o corpo todo em ação, todos os sentidos, diversas possibilidades e ludicidade. Não há mais atividades de artes e sim proposições onde são os bebês e as crianças que dão sentido para as experiências.

  • Brincar com água: fluidez, entrega e refúgio.

    Brincar com água: fluidez, entrega e refúgio.


    Em um dia muito quente, substituí uma professora em um grupo de crianças de 2 e 3 anos. Ao ser questionada sobre o que propor durante a tarde, a primeira coisa que veio à mente foi brincar com água!


    O brincar com água havia sido algo pulsante, pois no semestre passado proporcionei diversas atividades relacionadas à natureza ao grupo que estava sob minha regência, mas não tínhamos brincado com água. Faltava viver essa experiência tão rica e muitas vezes limitada às crianças, que demonstram interesse em pesquisar esse elemento natural em diversas situações. Aproveitei o dia ensolarado e organizei uma atividade com água, proporcionando às crianças essa experiência enriquecedora.

  • A relação adulto-criança no espaço educativo: tudo começa aqui!

    A relação adulto-criança no espaço educativo: tudo começa aqui!


    Este é mais um daqueles assuntos que me inquietam bastante: a relação do adulto com o bebê e a criança no cotidiano do espaço educativo. Essa relação tem como base o comprometimento ético, o respeito, a empatia e a consciência de que as relações impactam no desenvolvimento emocional e cognitivo dos infantes. Portanto, exige estudo, reflexão e autoconhecimento para construção de uma relação afetiva saudável.


    O assunto é amplo e meu foco nessa publicação será especificamente as sutilezas das interações:
    a forma de olhar, falar, tocar e os gestos.
    Ações que exigem disposição e interesse por parte do adulto para repensar a postura que está automatizada ou normalizada. Já parou para pensar sobre como está sua comunicação com os bebês e as crianças? Se seus gestos estão sintonizados com sua fala ou se você fala uma coisa e faz outra e vice-versa?


    A atitude do adulto tem a ver com a imagem de criança que traz dentro de si. Por isso, lhe convido a olhar para dentro, para como foi sua infância: revisitar fotos, pensar sobre os momentos que te marcaram, conversar com familiares, buscar a sua essência. Voltar a essas memórias nem sempre é fácil, pois estão permeadas de sentimentos nem sempre agradáveis, mas é necessário para se entender e melhorar sua sintonia com as crianças. Assista Tarja Branca esse documentário pode ampliar as reflexões sobre a sua criança interior.


    Seja sincera(o) consigo mesma(o), permita-se sentir, assuma os pontos que exigem atenção e investigue o porque certas situações lhe incomodam ou agradam, busque equilibrar as emoções. Pois oferecemos o que somos, a partir das nossas experiências de vida, um dia fomos crianças e recebemos cuidados e modelos de relação. Ter consciência do que te habita despertará maior sensibilidade no tratamento com as crianças. No entanto, para além desse olhar para si mesma(o) é preciso estudar, praticar e refletir sobre as interações cotidianas e também trocar com outras(os) educadoras(es). Com o passar do tempo, conforme você se abre, perceberá que na relação adulto-criança a dupla aprende e cresce juntos, o adulto afeta e é afetado. Seu papel na aprendizagem e no desenvolvimento dos bebês e das crianças é fundamental.

    // Mais conteúdo reescrito…

  • Brincar, criar e construir: investigações cotidianas.

    Brincar, criar e construir: investigações cotidianas.


    Em 2021, com o retorno da jornada presencial na Educação Infantil (escola pública – SP), vivi um percurso de investigação com crianças de 3 anos durante um semestre.



    A motivação para criar contextos de construção surgiu do interesse das crianças pelas opções de brinquedos para montar.
    As ações, a criatividade e a imaginação das brincadeiras me chamaram a atenção, mas os materiais disponíveis eram limitantes.

  • Bebês pesquisadores e a necessidade de conhecer: experiências com o papel.

    Bebês pesquisadores e a necessidade de conhecer: experiências com o papel.

    No mês de outubro de 2021, compartilhei algumas imagens no @culturainfantil com bebês explorando papéis em uma experiência que me surpreendeu e resolvi fazer um breve relato aqui.

  • RECEITA GOSTOSA E QUE AUMENTA A IMUNIDADE

    RECEITA GOSTOSA E QUE AUMENTA A IMUNIDADE

    O outono chegou e aqui em casa a imunidade caiu bastante! Pensando nisso, trago uma receita nutritiva, gostosa e que ajuda a aumentar a imunidade. Aprenda e faça aí na sua casa também!

    Confira uma receita nutritiva, que fortalece a imunidade e tem pouquíssimas calorias

    Luana Godinho, nutricionista do Supermercados Mundial, ensina como fazer uma Sopa de gengibre, abóbora e frango e explica a importância da alimentação para fortalecer o sistema imunológico

    Com a chegada do outono, temos vivenciado uma imprevisibilidade do clima, mudanças de temperaturas, mas também aumento de crises alérgicas. Enquanto algumas semanas se parecem com o verão, em outras, a temperatura cai de um dia para o outro. Essas oscilações representam um desafio para nossos sistemas imunológicos, deixando-nos mais vulneráveis a doenças sazonais.

    Diante disso, é importante fortalecer nossas defesas naturais contra os ataques externos, e a alimentação desempenha um papel vital nessa batalha pela saúde. Luana Godinho, nutricionista do Supermercados Mundial, destaca a importância de fortalecer o sistema imunológico através de escolhas alimentares conscientes. “No outono, é essencial fortalecer o sistema imunológico e manter uma alimentação equilibrada para garantir saúde e bem-estar”.

    Segundo a nutricionista, as sopas são uma excelente opção para esta época do ano, pois são nutritivas e podem ser preparadas com uma grande variedade de ingredientes. “Optar por sopas caseiras permite controlar os ingredientes e aproveitar ao máximo os benefícios nutricionais de cada alimento”, ressalta Luana.

    Luana Godinho compartilha uma receita especial de Sopa de Abóbora, Frango e Gengibre, perfeita para aquecer as noites de outono e nutrir o corpo com ingredientes saudáveis e saborosos:

    Sopa de Abóbora, Frango e Gengibre

    Ingredientes:

    • 1 kg de abóbora cozida e amassada em ponto de purê (pode passar no mixer ou liquidificador)
    • 500g de peito de frango em cubos ou desfiado
    • 1 cebola picada
    • 3 dentes de alho picados
    • 1 colher de sopa de gengibre fresco ralado
    • Caldo de galinha (do cozimento do frango)
    • Sal e pimenta a gosto
    • Folhas de coentro fresco para decorar (opcional)

    Modo de preparo:

    1. Em uma panela grande, refogue metade da cebola e do alho em um fio de azeite até ficarem dourados.
    2. Adicione o frango e doure levemente.
    3. Inclua água que baste e cozinhe até ficar macio.
    4. Reserve a água do cozimento.
    5. Em uma panela, refogue alho e cebola, e adicione o frango.
    6. Acrescente a abóbora cozida e amassada, o gengibre e o caldo de galinha (água do cozimento do frango). Tempere com sal e pimenta a gosto.
    7. Deixe cozinhar em fogo médio até que atinja a textura desejada, quanto mais tempo, mais grosso o caldo.
    8. Sirva quente, decorado com folhas de coentro fresco, se desejar.

    Com essas dicas e receita, o Supermercados Mundial convidam seus clientes a desfrutarem de refeições deliciosas e nutritivas durante a temporada de outono. Visite uma de nossas lojas e encontre todos os ingredientes frescos e produtos de qualidade para preparar suas sopas favoritas!

    Confira algumas ofertas no encarte do Supermercados Mundial!

    Do tradicional ao moderno

    Com 20 lojas no Estado do Rio de Janeiro, 80 anos de atuação e mais de 9.000 colaboradores diretos, o Mundial está entre os 15 maiores varejistas do Brasil, e é fiel à filosofia de obter a melhor condição na compra de produtos para garantir ao consumidor o menor preço total. O Mundial é uma das poucas redes de supermercados do país a trabalhar somente com venda à vista (dinheiro, cartão de débito ou cartão alimentação).

    Há ainda a estrutura da Central de Distribuição, localizada em Inhaúma, com tamanho de 45 mil metros quadrados. Nela o novo frigorífico tem capacidade para estocar 7 mil toneladas de alimentos, e o depósito 30 mil paletes. Hoje 75% do volume vendido nas lojas é abastecido pela Central de Distribuição, que conta com uma frota de 50 caminhões. Responsabilidade Social também é um grande diferencial da rede, que tem em seu quadro mais de 400 Pessoas com Deficiência (PcD’s) trabalhando em diferentes setores da empresa e, ainda, em torno de 450 Jovens Aprendizes se qualificando para o mercado de trabalho. Qualidade, preço, compromisso com o cliente e atendimento são fatores responsáveis pelo sucesso do Mundial no Rio de Janeiro.

    Redes sociais:

    Site Oficial
    Facebook: Supermercados Mundial Oficial

    Instagram: @supermercadosmundial

    Assessoria de Imprensa: Agência A+

    Contato: carolina.canalinfantil@gmail.com

    Instagram: @canalinfantil

    Facebook: @canalinfantiloficial

  • Bebês pesquisadores e a necessidade de conhecer: experiências com o papel.

    No mês de outubro de 2021, compartilhei algumas imagens no @culturainfantil com bebês explorando papéis em uma experiência que me surpreendeu e resolvi fazer um breve relato aqui.